Quarta-feira , 20 Março 2019
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SECRETÁRIO EXPLICA POR QUE ILHÉUS NÃO TEVE O CARNAVAL QUE “MERECE”

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Alex Silva, Tatiara Santos, Alcides Kruschewsky, Ricardo Hafner e Danilo Silveira. Foto: Thiago Dias/Galera de Ilhéus.
Alex Silva, Tatiara Santos, Alcides Kruschewsky, Ricardo Hafner e Danilo Silveira. Foto: Thiago Dias/Galera de Ilhéus.

Certa vez, numa conversa com o vice-prefeito José Nazal
(REDE), ele me falou de uma dificuldade comum na rotina do gestor público. O
tempo tomado pelas miudezas dos problemas cotidianos faz falta na hora de pensar
o destino do município e o planejamento a longo prazo da gestão do território.
À época, Nazal era o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável
de Ilhéus, cargo do qual se desligou quando rompeu seu vínculo político com o
prefeito Mário Alexandre (Marão – PSD).

Lembrei da conversa com Nazal, ocorrida em 2017, ao ler um artigo
do historiador e bacharel em direito Julio Gomes no Blog do Gusmão. Ele
refletiu sobre a falta de Carnaval oficial em Ilhéus em 2018 e 2019. O governo
Marão decidiu priorizar o investimento de recursos em outras áreas.

Na opinião de Julio Gomes, o município de Ilhéus não pode se
dar ao luxo de não promover a festa de Momo. O articulista não economizou na
contundência. “Itabuna, Vitória da Conquista e outras
cidades da Bahia talvez possam ficar sem fazer Carnaval. Mas Salvador, Porto
Seguro, Ilhéus e Itacaré, municípios com forte vocação turística e cultura
marcantes, simplesmente não podem se dar a esse luxo. Não fazer carnaval nestes
municípios é um verdadeiro crime, contra a economia, contra a cultura, contra o
povo!”.

Qual é a relação entre o
pensamento do vice-prefeito, que não tratou especificamente do Carnaval naquela
oportunidade, com a crítica de Julio Gomes? Ambos defendem o planejamento a
longo prazo e a visão de fundo como orientadores das políticas públicas.

Nas palavras de Gomes, “é
simplesmente inadmissível que Ilhéus não tenha uma programação oficial de
Carnaval, que não possua uma agenda carnavalesca ampla, eficaz, organizada pelo
Poder Público e divulgada com anos de antecedência para fortalecer nossa
economia, nosso turismo e nossa identidade cultural diante do Brasil”.

A contundência não o impediu de
ser também ponderado. “Claro que não cabe mais gastar milhões de dinheiro
público para contratar grandes artistas, quando tudo que é público no Município
de Ilhéus padece e mingua”.

Julio lembrou, no entanto, que o
governo Jabes Ribeiro conseguiu fazer o “Carnaval Cultural”. “Gestões
municipais anteriores, inclusive a do ex-prefeito Jabes Ribeiro – com quem não
tenho nenhuma afinidade, nem simpatia política –, provaram que é possível fazer
um bom carnaval gastando pouco, como se fazia com o chamado Carnaval Cultural,
com atrações e trios regionais, e com palcos diversos, para atender a gostos
diversos”.

Os argumentos do articulista
despertaram no Galera de Ilhéus a curiosidade para buscar esclarecimentos do
governo Mário Alexandre sobre a falta do Carnaval oficial nesse ano e em 2018.
Na semana passada, num breve diálogo por telefone, o secretário de turismo de
Ilhéus, Alcides Kruschewsky, demonstrou certo desânimo ao ouvir deste repórter
o pedido de um encontro para falar sobre o calendário de eventos da cidade. De
maneira muito gentil, como de costume, o secretário disse que não poderia
deixar de nos atender. E assim o fez, na tarde da última segunda-feira (11).

A Secretaria de Turismo de Ilhéus
ocupa duas salas contíguas do Palácio Paranaguá. Alcides nos recebeu
acompanhado pela diretora de eventos e serviços turísticos Tatiara Santos, o
chefe de fomentos Ricardo Hafner, o chefe de eventos Alex Silva e o assessor de
comunicação Danilo Silveira.

No início da conversa, lembramos a
Alcides, que foi secretário de turismo nos dois primeiros anos do último
mandato do ex-prefeito Jabes Ribeiro (PP), que Ribeiro se queixava muito da
situação financeira da cidade, entretanto, o município viabilizou o
Carnaval oficial, em parceria com a Bahiatursa. Por isso, perguntamos o que
mudou na relação da prefeitura com a empresa do Estado e o que impede hoje o
município de realizar o Carnaval.

Na resposta, Kruschewsky lembrou que não houve Carnaval no
primeiro ano do governo anterior. “Foi em decorrência da não realização do
Carnaval que surgiu o Aleluia Ilhéus Festival. Foi um evento criado quando eu
também estava na gestão do turismo no governo anterior. Nós fizemos um acordo
com a Secretaria de Turismo do Governo do Estado, para que o recurso que seria
entregue no Carnaval pudesse vir a beneficiar o turismo de Ilhéus com a
realização de um outro evento, de forma compensatória”.

Segundo Alcides, quando comandou o turismo no governo Jabes,
havia uma conjuntura rara e favorável para o setor em Ilhéus. Kruschewsky era
do PSB, o mesmo partido de Domingos Leonelli Netto, que foi secretário de
turismo da Bahia e, ao mesmo tempo, presidente da Bahiatursa.

Aquela circunstância, explica Alcides, favoreceu a
realização do Aleluia Ilhéus sem que o município precisasse investir dinheiro.
A prefeitura colaborou apenas com o suporte logístico dos serviços de apoio à
festa. “A situação anterior foi muito favorável para a realização do Aleluia
Ilhéus. No momento não é isso que acontece. Embora o município venha tendo
apoio da Bahiatursa para a realização desses eventos, esses apoios estão aquém
do que já conseguimos um dia. Não satisfazem todas as nossas necessidades,
dependendo que o município também aporte grandes somas, com recursos próprios, para
complementar a ajuda que recebe de fora e poder realizar os eventos”.

O secretário afirma que o governo
de Mário Alexandre começou com a disposição para fomentar o setor “e um
dos pilares do turismo é a realização de eventos. Então, o ex-secretário de
turismo [Roberto Lobão] conseguiu realizar um Carnaval considerado o melhor dos
últimos tempos, mas não houve a possibilidade de continuarmos realizando o
evento carnavalesco da forma como gostaríamos e como Ilhéus merece”.

De acordo com Alcides, em 2018 Ilhéus começou a enfrentar
“uma série de outras complicações de ordem financeira” e isso “impossibilitou o
município de continuar aportando quantias vultosas para a realização dos
eventos”.

Perguntamos quanto o município precisaria investir para realizar o festejo
momesco. “Para fazer o Carnaval de Ilhéus no nível como vinha sendo realizado,
com a participação de atrações de bom nível, que possibilitem a atração de
turistas, por volta de um milhão e trezentos mil reais. Algo em torno de um
milhão e meio de reais”, respondeu o secretário.

O texto acima é um resumo da conversa com o secretário, com ênfase nas
questões que envolvem o Carnaval. A íntegra da entrevista segue abaixo,
abordando temas como o Aleluia Ilhéus e os planos do governo para os próximos
eventos. Leia.

Galera de Ilhéus – Secretário,
nos primeiros anos do governo Jabes, do qual o senhor também participou, o
então prefeito costumava dizer que a situação financeira da cidade era difícil.
Ainda assim, o município conseguiu viabilizar a realização do Carnaval oficial,
em parceria com a Bahiatursa. O que mudou na relação com a Bahiatursa e o que
impede hoje o município de realizar o Carnaval?

Alcides Kruschewsky – No primeiro ano do governo anterior,
não houve Carnaval. Foi em decorrência da não realização do Carnaval que surgiu
o Aleluia Ilhéus Festival. Foi um evento criado quando eu também estava na
gestão do turismo no governo anterior. Nós fizemos um acordo com a Secretaria
de Turismo do Governo do Estado para que o recurso que seria entregue no
Carnaval pudesse vir a beneficiar o turismo de Ilhéus, com a realização de um
outro evento de forma compensatória. Nós conseguimos esse apoio também por
causa das nossas relações com a instância superior do turismo na Bahia. Bahiatursa
e Secretaria do Turismo estavam sendo dirigidas por Domingos Leonelli, que era
correligionário meu no PSB, e nos deu apoio incondicional para que aquele
evento pudesse ser criado e realizado a contento, na Semana Santa, em virtude
de se tratar de um feriado nacional, quando nossa rede hoteleira tem ampla
ocupação (tão grande, às vezes, quanto no Carnaval). Naquele primeiro ano
[2013], a Prefeitura de Ilhéus também não aportou dinheiro para a realização do
“Aleluia”. O festival teve início com apoio do Governo do Estado, da iniciativa
privada e de vários órgãos públicos. O governo de Ilhéus entrou com os serviços
e todo apoio logístico necessário, mas não aportou recursos financeiros. Essa política
do Governo do Estado mudou. E o gestor que, naquela oportunidade, cumulava os
cargos de presidente da Bahiatursa e de secretário do turismo do Estado da
Bahia, hoje não os acumula. A situação anterior foi muito favorável para a
realização do Aleluia Ilhéus. No momento, não é isso que acontece. Embora o
município venha tendo apoio da Bahiatursa para a realização desses eventos,
esses apoios estão aquém do que já conseguimos um dia e também não satisfazem
todas as nossas necessidades, dependendo que o município também aporte grandes
somas com recursos próprios para complementar a ajuda que recebe de fora e
poder realizar os eventos em nosso município. O governo atual começou com a disposição
para fomentar o turismo e um dos pilares do turismo é a realização de eventos.
Então, o ex-secretário de turismo [Roberto Lobão] conseguiu realizar um
Carnaval, que foi considerado o melhor Carnaval dos últimos tempos, mas não
houve a possibilidade de continuarmos realizando o evento carnavalesco da forma
como gostaríamos e como Ilhéus merece. Em 2018, começou uma série de outras
complicações de ordem financeira que impossibilitou o município de continuar
aportando quantias vultosas para a realização dos eventos.

Galera de Ilhéus –
Quanto o município precisaria aportar para fazer o Carnaval?

Alcides Kruschewsky – Para fazer o Carnaval de Ilhéus no nível
como vinha sendo realizado, com a participação de atrações de bom nível, que
possibilitem a atração de turistas, por volta de um milhão e trezentos mil
reais. Algo em torno de um milhão e meio de reais.

Galera de Ilhéus – A
situação de 2018 se repetiu em 2019?

Alcides Kruschewsky – Isso. Bom, em 2018 a prefeitura
realizou um grande evento, em meados do ano. Esse evento foi um mixe de festa
junina, por ocasião do São Pedro, e comemoração do aniversário da cidade. Foram
quatro dias de evento, o Viva Ilhéus. Mas, a partir daí, a crise econômica, que
envolve também o município, se agravou, e outras prioridades tiveram que ser
atendidas.

Galera de Ilhéus –
Existiu a intenção de manter o Aleluia Ilhéus?

Alcides Kruschewsky – Sim, desde o princípio. Eu queria
dizer também o seguinte. Esse ano, de 2018 para 2019, nós fizemos o Réveillon.
Trouxemos grandes atrações e sem nenhum ônus para o município, com apoio total
da Bahiatursa. Então, as relações com o Governo do Estado continuam excelentes,
porém, quando se trata de apoio para realização de eventos, nós entendemos que
esses apoios precisam melhorar. Nós precisamos realmente de mais recursos, até
porque Ilhéus é um dos maiores destinos turísticos da Bahia e portal de entrada
da região Costa do Cacau. Você perguntava sobre o Aleluia.

Galera de Ilhéus –
Sim, por que não foi adiante?

Alcides Kruschewsky – Nós sempre tivemos intenção de
realizar o Aleluia. O Aleluia, para ser realizado, ele tem uma característica.
O município aporta poucos recursos para a realização do Aleluia. Esse é um
evento que depende muito de captação de recurso externo. Acontece que o Governo
do Estado, que sempre foi um dos maiores patrocinadores do Aleluia, recuou em
relação a essas possibilidades de apoio. O governador [Rui Costa], inclusive,
sinalizou a impossibilidade de manter os apoios do nível que vinha mantendo
anteriormente e isso inviabilizou.

Galera de Ilhéus –
Esse recuo também afetou outros municípios?

Alcides Kruschewsky – Afetou toda a Bahia. Inclusive agora,
no Réveillon, todos os municípios, para realizar o Réveillon de 2018 para 2019,
a confirmação do apoio via Governo do Estado para a realização desses eventos
se deu muito tarde, de modo que nós não pudemos nem contratar, por exemplo, um
palco para os festejos de Réveillon. Nós tivemos que fazer num trio elétrico
porque, àquela altura, quando tivemos a confirmação de que teríamos o apoio do
Governo do Estado, não tinha mais palco disponível para que a gente pudesse
fazer o Réveillon utilizando essa estrutura. Tivemos que mudar para o trio
elétrico de grande porte, um excelente trio elétrico, mas, em virtude justamente
do anúncio do apoio, digamos assim, já muito em cima da hora. Deixa eu te
explicar uma coisa só, Thiago, o Aleluia não convive com o Carnaval. Ele nasceu
de uma impossibilidade de realização do Carnaval. Foi uma oportunidade em que
transferirmos o foco para a Semana Santa. Nos anos seguintes houve uma
realização precária do Carnaval, mas aí o Aleluia já tinha uma consolidação e
parceiros. Com a mudança de governo, tudo isso mudou. Eu não participei dos
últimos dois anos do governo anterior. No ano seguinte ao da minha saída, não
houve o Aleluia.

Galera de Ilhéus –
Com um planejamento de médio prazo, pensando, por exemplo, no Carnaval de 2020,
o município poderia ser mais autônomo e criar as condições financeiras para
realizar um Carnaval a contento?

Alcides Kruschewsky – Eu acho que o modelo de Carnaval
precisa ser repensado. O Carnaval está latente na alma do ilheense, que tem a
tradição de brincar o Carnaval. Gosta da festa. Isso faz parte do perfil do
ilheense: ser folião do Carnaval, gostar do Carnaval e gostar do Carnaval na
sua data própria, quando todo o Brasil está envolvido no Carnaval. O que eu
penso é que não é mais possível o município bancar um Carnaval com grandes
atrações pagas a peso de ouro. O nosso deverá ser um Carnaval de raiz, em que
você coloca o palco, que seria a nossa avenida e outros locais onde a sociedade
ilheense costuma se manifestar, à disposição do povo e faculta à sociedade
poder brincar, usar da sua criatividade, juntar a sua turma. Acredito que, com o
passar dos anos, nós vamos ter um Carnaval criativo, irreverente, como tem que
ser o Carnaval, e com a nossa cara, sem termos que bancar financiamentos
vultosos que vão fazer falta em outras áreas. Mas, para isso, é necessária uma
participação mínima do município nessa organização, dando ao artista, que é o
povo, a sua passarela, a sua vitrine, para que ele possa se exibir e se sentir
o artífice, o artista do Carnaval.

Galera de Ilhéus – E
daqui para frente, quais eventos são pensados e preparados para o calendário
festivo?

Alcides Kruschewsky – Nós estamos planejando já os festejos
juninos de Ilhéus. Se não fizermos o São João, provavelmente, mais uma vez,
vamos aproveitar a coincidência das datas do São Pedro e do dia da cidade para
fazer a nossa grande festa de aniversário de Ilhéus. Uma festa com a pegada junina,
para suprir essa necessidade de um evento em meados do ano. Nós vamos apoiar
mais uma vez o Festival do Chocolate. Vamos fazer o Réveillon de 2019 para
2020. E, pretendemos sim, a partir desse modelo sobre o qual acabamos de falar,
estimular um Carnaval de raiz aqui na nossa cidade, durante o Carnaval oficial.

Galera de Ilhéus – O
município não vislumbra a possibilidade de ser o indutor da festa?

Alcides Kruschewsky – Indutor da festa, sim. O município não vislumbra a possibilidade de empregar recursos vultosos para a contratação de atrações no nível e no preço que se paga durante o período oficial de Carnaval. Por exemplo, para você trazer uma atração de grande porte, não vai custar menos do que 100, 150 mil reais. E uma atração não resolve essa situação. Não é só isso. Os grandes trios também ficam com os preços mais altos. Nós temos que encontrar um ponto de equilíbrio entre um Carnaval espontâneo, de raiz, em que a comunidade se manifeste, e espontaneamente crie ou faça a festa, se exiba, digamos assim, e até algumas atrações, após ou antes do Carnaval, complementando esse festejo e robustecendo o porte do nosso Carnaval.

Em tempo: o prefeito de Ilhéus pretende fundir as secretarias de cultura e de turismoveja aqui.

O artigo de Julio Gomes (citado na matéria) está neste link.

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fonte: galeradeilheus.com.br e galeradeilheus.com

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